Hoje se fala muito da geração Y, o que são? De onde vieram? E para onde vão?
Já ouvi falar de geração Z, certamente terá, mas acho que não amadureceu muito. Tudo que vou falar aqui é minha opinião, sem consultas antropológicas ou visões mercadológicas, é apenas a minha visão, uma de dentro (da minha tal de geração X), outra de fora, da tal de Y. Sendo que tenho a distorção de duas paredes transparentes, a que estou dentro e a que estou por fora.
Mas vamos lá, acho que posso iniciar me referindo a tal blank gereration. Depois de guerras, paz e amor, ficou realmente um vazio, nada estava dando certo, afinal para onde vamos? Só que os caras pegaram carona e disseram, somos a Blank Generation, sem conceitos e pré-conceitos, estamos vazios para preenchermos e sermos preenchidos, isto foi mais um conceito cultural dos anos 70 no lado de cá do mundo, enquanto a Europa via nascer o punk, a américa preenchia o vazio literário e musical com o faça você mesmo made in EUA.
Depois, pós punk, a raiva externada contra o mundo começa a se voltar contra o feiticeiro, não sei se por falta de efeito, por saber que o “No future”, não é só um slogan libertador e sim um triste destino, uma geração perdida e sem perspectiva simplesmente se acomoda e espera pelos resultados.
A geração X está formada, dentro dela, tem os dissidentes, os yuppies, os alienados de sempre, a formação dos conceitos dos nerds etc, mas a juventude pensante fica estagnada, sem tesão. Um mundo de idéias sem colocar em prática. Em termos de comunicação, ainda nada de novo, só cresceram as velhas mídias, TV, rádio, cinema, livros, revistas, vinil. Algumas novidades, mas só evolução, nenhuma revolução ainda, vídeo cassete, CD, DVD, o tal de computador, mas só como uma ferramenta solitária, sem rede.
Esta geração reviveu o lado sombrio de tudo, a idéia de um grande controlador que fornecia segurança pelo braço forte, que controlava tudo e te deixava meio sem responsabilidades sobre o futuro começou a ruir, a igreja perdeu força e começou a ser questionada, os grandes governos perderam força, estamos no liberalismo, cada um por si e Deus por…? quem?
A falta da rodinha que equilibrava a bicicleta da vida gerou a insegurança e parou-se de pedalar.
Creio que esta geração meio que parou de pensar, cresceu e procriou, sem refletir seguiu pela trilha a pé, remoendo passado, culpas e remorsos.
Tudo que não tive, ou o pouco que experimentei, tenho que ampliar para as gerações futuras.
Isto veio junto com a reversão do capitalismo, os anos 70 e 80, onde a demanda era maior que o mercado mudou totalmente, indústrias extremamente produtivas democratizaram e possibilitaram a profusão de bens a todos.
Ai que eu acho que começou a tal de geração Y, da carência da X veio o excesso da Y. A sociabilidade das crianças aumentou, os amigos formados na escola somaram com os de mil outras atividades. Dois pais trabalhando gerou necessidade de mais atividades externas e mais convívio, mais presentes. A indústria dos aniversários de criança começa a se desenvolver, dezenas de festas, centenas de presentes.
Maior número de separação de casais, mais parentes gerados para as crianças. Vem a adolescência, conceitos de ficantes, somatório de beijos e amassos.
A tal de internet chega, é tudo ao mesmo tempo, tudo esta ao alcance.
Todos estes excessos geraram um compartilhamento de apego, não se apegam mais com 100, 50, 33% aos poucos brinquedos, programas de televisão, roupas, amigos, “namorada(o)s”. Tudo agora é as centenas, não há tempo para dedicar muito a pouco, se perde muito com isto!
O mar é muito grande para mergulhar mais fundo em um ponto.
Acho que esta diversidade e quantidade obrigam esta geração a ser como são, LÍBEROS, devem jogar em todas as posições ao mesmo tempo, é muita informação para pouco tempo e para eles não existe a cultura do apego que nós das gerações anteriores adquirimos.
Acho que acabei falando mais da X que da Y, mas sem dúvida a última é consequência desta minha geração. E como bom representante da geração X, tento me aprofundar em tudo e me preocupar mais com as causas do passado do que o resultado no presente.










